quarta-feira, 13 de maio de 2009

Assim seria

Ela era a única hippie da vila. Usava bijuterias de plástico. Teve duas filhas, Agustina e Brigida. Uma faz sucesso na TV. Outra não come, fuma maconha e agora padece com um câncer terminal.

Há quem diga que ela morreu, há quem diga que um dia vai voltar. Há ainda os que acham que ela não aparece para não estragar o sucesso da filha que apresenta um programa de televisão. A polícia ainda não sabe de seu sumiço, pois as filhas decidiram não denunciar à polícia. Acharam que os apelos na televisão fossem capazes de trazer mais resultados, se eles viessem.

Ela teve um caso extraconjugal. Não se sabe se foi o único, mas, certamente fora o mais polêmico. O amante era um homem da própria vila onda a mãe hippie vivia, um homem que todos juravam ser fiel à esposa. Um homem que a levou para a morte.

Certo dia, enquanto dormia nos braços dele foi descoberta pela esposa. Morreu queimada por conta do ódio da outra mulher. Como ventava muito não foi possível apagar o fogo rapidamente. Morreram os dois.

Mesmo morta ela está presente. Na vida das filhas, da mulher do homem com quem dormia. Ela não tinha pudores, e quando ficava chateada? Sumia. Desde a última vez já faz 2 anos e meio. E Agustina continua achando que ela vai voltar a qualquer hora. Quem é essa mulher? É a mãe de Agustina, certamente ela seria assim, se tivesse aparecido em Volver. 

Por Marcos Vinicius.

Ah Raimunda



Como eu poderia começar um perfil de Raimunda no filme Volver? Talvez eu pudesse começar falando que era uma pacata dona-de-casa que trabalha para ajudar a sustentar o lar. Mas, se começasse assim, estaria abrindo mão de um clichê para definir uma personagem que não cabe em contextos já batidos e conhecidos. Estaria também sendo extremamente inexato, afinal  Raimunda não era só isso. À primeira vista seria uma pacata dona-de-casa, mas os elementos que transformarão Raimunda em uma mulher surpreendente começam a aparecer já no início da trama. 

Ela tem personalidade forte. Fato que se confirma quando, deixando-se dominar por seu instinto materno, decide assumir a culpa da morte de Paco – seu marido, resguardando sua filha, a real assassina.

No desenrolar do filme outro fato prova a força da protagonista. Raimunda não hesita em enterrar o freezer com o corpo de Paco à beira do rio que ele mais gostava, para isso convida uma vizinha para lhe ajudar com o transporte. E diz que pagará pelo serviço, e que a outra não fizesse pergunta alguma. Determinada, sem dúvida. 

O internauta pode achar que com tanta personalidade, a personagem interpretada por Penélope Cruz era incapaz de expressões de amor, mas não é. Como explicar o momento em que ela chora, junto à filha, quando esta conta que foi assediada pelo próprio pai?

Emoção. Com certeza, mas nessa situação da filha é emoção somada às lembranças de Raimunda, que também fora assediada pelo pai. Aliás, Paola, filha de Raimunda em Volver é, na verdade, filha do pai da protagonista.

Outro momento marcante da protagonista, é claro, é quando ela canta “Volver”, as lágrimas que escorrem pelo rosto de Raimunda enquanto ela vê a mãe são tocantes, profunda  sem ser melodramática. Assim é Raimunda, sensível, forte, profunda, nada parecida com a simples e pacata dona-de-casa escolhida para iniciar esse perfil.

Por Marcos Vinicius 

 

 

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Vida Longa e Próspera à Enterprise

Começou a temporada de superproduções norte-americanas. Várias opções de filmes-pipoca invadem as telas do mundo todo, mas apesar da diversidade, tem algumas que é melhor descartar, como aqueles filmes produzidos apenas para os estúdios obterem lucro, dirigidos de forma burocrática e com roteiros imersos em clichês. Mas existem também boas opções de blockbusters. Posso dar exemplos de cineastas que se especializaram em fazer mais do que meros filmes-pipoca, realizando entretenimentos de qualidade: Bryan Singer, Sam Raimi e os velhos de guerra Steven Spielberg, Robert Zemeckis, James Cameron...

Felizmente, J.J. Abrams faz parte dessa lista.
O homem por trás do sucesso da telesérie Lost e do capítulo mais divertido de Missão Impossível se aventura, com muita coragem, pelo universo de Star Trek e para alívio dos fãs respeita o original e para os leigos apresenta um excelente entretenimento. Com certeza, um filme capaz de angariar novos fãs para a tão cultuada série.

Eu não sou uma Trekker (embora, ainda pequena, tenha assistido vários episódios pela televisão e acompanhado as primeiras temporadas quan
do essas voltaram a ser exibidas há algum tempo). Então temos nesse blog, a opinião de uma legítima Trekker Liz Khury (a.k.a. Penélope Cruz) e a opinião de uma quase-leiga ou curiosa no assunto como preferirem. Posso dizer, pelo que conheço dos fãs, que eles são aficionados e muito fiéis, por isso Abrams foi um corajoso ao assumir essa empreitada. Afinal, trata-se, de longe, de um dos mais famosos cults, que imprimiu sua marca em praticamente todos os níveis da cultura pop (televisão, cinema, literatura...) e que conta com uma legião de adoradores de fazer inveja a outros produtos do gênero. Mas o jovem cineasta conseguiu. Abrams se manteve fiel a fórmula responsável pelo sucesso da série, mas se permitiu ousar, ao criar, por exemplo, uma história paralela à da série ou mesmo ao utilizar a clássica Sabotage dos Beastie Boys na trilha sonora. Aliás, quando imaginávamos Beastie Boys como trilha de Star Trek?

O elenco foi muito bem selecionado. O confiante e cafajeste Capitão Kirk, outrora agraciado com as feições de Willian Shatner, agora ganha vida na pele do jovem Chris Pine que surpreende no papel. O frio Spock que se tornou clássico ao ser interpretado por Leonard
Nimoy, aparece aqui rejuvenescido, às vezes inseguro e até apaixonado, mas aprendendo a negar a emoção numa performance inspirada de Zachary Quinto. Interessante poder assistir não só à origem das personagens, mas também a evolução de seu relacionamento. Dois sujeitos que, a princípio não se suportavam pelas diferenças explícitas de personalidade, mas que acabam se tornando eternos amigos.
Os coadjuvantes são igualmente competentes. Scotty (Simon Pegg) funciona muito bem como o alívio cômico do filme, aliás são dele e de Kirk as melhores tiradas do filme. Anton Yelchin aparece como o russo Chekov e tem alguns momentos de herói improvável e Leonard Nimoy também dá as caras, não apenas para emocionar os nostálgicos, mas com consistência na história. Enfim, ótima construção de personagens.


Além do bom roteiro, o filme conta com um belo visual, efeitos especiais de primeira e empolgantes sequências de ação.
E os elementos sci-fi que encantavam os fãs da série ainda estão aqui: Viagens no tempo e espaço através de feixes de luz, realidades alternativas e as boas, velhas e barulhentas lutas e explosões espaciais que são muito improváveis, uma vez que o som não se propaga no espaço, portanto os mísseis e naves não deveriam emitir som... Bem, isso é o de menos, afinal pensar demais no que é coerente ou não, é tirar o grande barato de Star Trek. Abrams soube equilibrar muito bem momentos de tensão, ação, emoção e comédia. Garantindo ao público uma aventura dinâmica, inteligente, divertida e emocionante. Características que deveriam ser inerentes a todos os blockbusters do verão norte-americano.

Vida longa e próspera ao cinema de J.J. Abrams.

Por Andrizy Bento

Vale a Pena Ver...

O vídeo abaixo é uma cena do filme Volver, de Pedro Almodóvar. Nela Penélope Cruz, que interpreta Raimunda, canta, emocionada, a música que sua mãe a ensinou quando era criança. Vale a pena conferir...



Por Caroline do Prado

Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve

Desde pequena sou uma ‘trekker’, com direito a camiseta, livro da biografia de Leonard Nimoy (o Spock, na série) e horas montando modelos das naves, todas cheias de detalhes (incluindo fibra ótica para simular todas as janelas). Tudo culpa do meu pai, que diz que ser um ‘trekker’ não é uma escolha, é um dom.

Diante de todos esses fatos, é fácil deduzir que eu fui correndo assistir o filme Star Trek logo no final de semana de estréia. Assumo que fui ao cinema com medo de sair desapontada, mas não foi o que aconteceu. O diretor J.J. Abrams fez a lição de casa muito bem feita, correspondendo às exigências dos fãs e tornando o filme atraente para o público em geral. Com ousadia, o diretor criou uma história paralela à da série sem deixar que todo o sentido se perdesse.

Abrams implantou com maestria todos os elementos que tornam um filme atraente como comédia, romance e ótimos efeitos especiais.

Além disso, ele se manteve fiel a vários detalhes da série que são importantes como, por exemplo, os sons da cabine de comando da nave Enterprise 1701. Ele modernizou a história sem perder a tradição e homenageou outros filmes como Jornada nas Estrelas – o filme e Jornada nas Estrelas 3 (com a famosa frase: “eu sou e sempre serei seu amigo”).

A escolha dos atores foi muito satisfatória. Zachary Quinto, no papel de Spock, não decepcionou nem por um instante, Chris Pine arrasou na interpretação do mulherengo Kirk e Zoe Saldana foi muito bem escolhida devido a sua grande semelhança com Nyota Uhura na série. Destaque para Anton Yelchin no papel de Chekov e para Simon Pegg como Scotty. Foi delicioso acompanhar o encontro dos personagens quando jovens através da interpretação desses atores.

Abrams emocionou os fãs com a presença de Leonard Nimoy no seu (eterno) papel de Spock, anos mais velho. Impossível não se emocionar com a fisionomia e voz tão conhecidas de nós, fãs.

Como nada é perfeito, houve um grande tropeço do diretor criando um romance entre Spock e Uhura. Tentativa exagerada de humanizar o personagem.

Defeitos a parte, J.J. Abrams foi feliz na realização desse filme que abrirá portas para uma nova leva de ‘trekkers’.

Sem vergonha, assumo que chorei loucamente em boa parte do filme, em especial quando a Enterprise aparece pela primeira vez e no final, quando Nimoy narra a clássica: “O espaço. A fronteira final. Estas são as viagens da nave Enterprise em sua missão de explorar novos mundos, pesquisar novas vidas, novas civilizações. Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”.

Dá até pra dizer que senti aquela vontade de voltar no tempo e rever os episódios da série como se fosse a primeira vez.

Vida longa e próspera.

por Liz Khury

Principais Sequências do Filme Volver

A primeira sequência é a da morte do marido de Raimunda, a protagonista do filme. A partir daqui é que se inicia o conflito das personagens. Nesse caso paralelamente ocorre a morte da tia, que não é mostrado na tela. Paco é assassinado por sua filha de criação, Paula. Na cena ele aparece deitado sobre uma poça de sangue, enquanto Raimunda limpa com certa frieza a sujeira deixada pela morte de Paco.


A segunda sequência é quando Raimunda canta emocionada a canção que sua mãe havia a ensinado, para participar de um concurso de calouros quando era criança. Enquanto canta sua mãe a observa do carro discretamente, e o canto a leva às lágrimas.



A terceira sequência mostra o encontro entre mãe e filha, após muitos anos. Raimunda pensava que sua mãe estava morta. Então o reencontro gera um grande impacto para as duas.


Por Andrizy Bento, Caroline do Prado e Samantha Fontoura